Todas as coisas, todas as formas, todos os sons.

Todas as coisas, todas as formas, todos os sons.

sexta-feira, outubro 15

Por Hora.

Que vá. Passe pelo céu como uma nuvem, leve e branca, propicia a me encantar. Talvez não seja tempo, já não sei, de temer a noite, que vem calada, e nunca falha, me pega de surpresa no meio de um sonho bom. O tempo cai na rotina, da qual não consigo fazer parte, como um filho bêbado em dias claros. Sou tão só isso, que já não me resta reclamar do tempo, que veio e permanece, que vai e não sei se volta, que tá, não sei se fica. O que importa é que vem, a noite, escura, e as estrelas, sozinhas num único vislumbre. Medo de tudo, de ser uma única voz, de se perder num bosque e encontrar água para lavar o que já foi, o que eu nem sei se seria se já o tivesse encontrado antes. Outras noites, outros Carnavais. Não acredito em madrugadas, e sim que todo Carnaval tem seu lastimável fim, todo o Carnaval que segue pelas ruas, que segue pelas ladeiras, que segue pelas veias, e por olhos congelados no meio de um céu. Meu céu. Diante disso, consigo afirmar que temo a noite com Olinda teme o silencio da frevioca, que não pode parar. O Carnaval acaba sem merecer, ainda que por ordem natural, não deveria perder a cor, nem a frevioca, e isso me tortura corpo e alma, alma e mente, mente e coração. Que tudo fique como está, assim acontece e segue, muda o que deve e passa pelo que mereça, não siga uma linha, reta ou torta de caminhos, só ande, caminhe pelas ruas enquanto é dia, enquanto o sol brilha lá em cima ofuscando outros astros. Caminhe pelo seu chão, que a noite, bem, disso falamos depois, quando o sol tive se pondo.

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