Todas as coisas, todas as formas, todos os sons.

Todas as coisas, todas as formas, todos os sons.

segunda-feira, agosto 23

De Ruas e Passos.

Vou a passos largos, rápidos e vazios, sob um céu desconhecido e perigoso. Ando por olhos, cílios grandes e pupilas dilatadas. Não piscam. Os pés levam o corpo, tão embriagado de si mesmo, e da vodka suja das palavras. O corpo é só um peso. Os pés que são, que doem, pois o corpo que pesa, pesa mais que os pés, vagam mais que os passos, e distante do céu, o corpo se esvai. Não sou mais que o céu, sou menos que os passos, sou os sujos goles puros da menina livre das ruas do antigo Recife. Sou passos e olhos para ela. Sou sujo, sou menos. Os passos que seguem, vãos e pobres, vão por mim, marcados com sangue pegajoso, sangue sujo, de humano sujo, rua suja. Pupilas que dilatam atrás de de cílios grandes, que seguem o céu, acima dos passos, e seguem os passos, vagos de mim. Sujo, passos vagos, ruas antigas são para isso, me embriagam de mim mesma, de bebida barata, de passos baratos. Sinto meus olhos, por trás dos cílios, eles me chamam em busca de algo fundo, mais pesado que as cores do céu, algo longe de mim. São duas pupilas. Os passos atravessam ruas e musicas, quando tudo fica mudo. O vazio sonoro, fim de tudo, fim de todos. São mudos, são dos olhos, que seguem pelos passos fundos e não são pesados, são leves, e vagarosos, são assim por terem corpos leves, pois corpos sempre pesam, meu corpo pesa, por isso os passos rápidos. Rápidos de tudo e de mim, que corro atrás dele, o que é perigoso. O céu acima de mim fica mudo, não posso culpa-lo, pois sempre soube, sempre sei, e todos sabem que o céu fica mudo, e se o seguem, é por algo maior que o som, o que é desconhecido a minhas pupilas frágeis. Frágeis olhos, presos por cordas azuis, não são coloridas. Sigo a rua, meus passos, meus pés, cansada de seguir, o corpo pesa, o pensamento pesa, a chuva e o sol pesam. Não devo me cansar, sou passos, são vagos, são livres. Sou eu. A garota das ruas velhas sumiu, levou seu vento embora, levou consigo a bebida, e eu me embebedo de mim sem ela, que correu para os sons. Aqui esta tudo mudo, sem céu, sem ar. Os passos seguem. Vazios.

6 comentários:

  1. Gostei do seu texto. Apesar de ele ser um tanto confuso, eu entendi algumas coisas, e gostei delas. Eu estava precisando ler um texto bom como o seu! Continue assim que eu vou continuar te lendo e comentando aqui.

    Beijos.

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  2. Obrigada por ter lido, e não se preocupe, ele também é confuso pra mim, mas tento da uma se sabixona e entendida! (y)
    pô deixar, logo logo tenho mais (:

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  3. ouço a cadência perturbadora duma música desgarrada.

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  4. lindo demais.
    muito significativo. Menina vai escrever um livro vai!!!!! uehuhaeuae
    "Pupilas que dilatam atrás de de cílios grandes, que seguem o céu, acima dos passos, e seguem os passos, vagos de mim."

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  5. Aqui esta tudo mudo, sem céu, sem ar. Os passos seguem. Vazios.
    Maninha, acho que no fundo todos somos a garota enbreagada do antigo recife

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  6. Como li há um tempo atrás, não lembro aonde...
    "Se a poesia compreendesse, se transformaria na filosofia e desapareceria."
    A forma e o estilo vêm com o tempo, mas essa coisa que alguns tem de conseguir colocar algo dentro do outro e fazê-los sentir e pensar a respeito é o que se procura a vida toda, e só os grandes acham.
    Quem começa a pensar não para. To esperando pra ver o próximo.

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