Todas as coisas, todas as formas, todos os sons.
Todas as coisas, todas as formas, todos os sons.
quarta-feira, dezembro 15
Recuo.
Paro de ouvir. Quando todas as bocas se abrem em gritos infinitos, eu calo, tapo e recuo. Calar sempre fiz, sempre fui, mas recuar é dom que se aprende e se aprimora, principalmente quando não se vive no meio de uma sinfonia, onde luzes explodem no ar a todo instante, mas você não as vê. O povo se move, pisa, corre, e ninguém para. Tudo avança. As coisas vão para o alto, os homens seguem metralhando para baixo, e é quando os carros passam surdos e rápidos por cima de nós. Eu recuo. Toda dor sem som, todo som sem noite e a minha noite sem luz, piscando como sempre, atormenta a alma que cala no vazio, e fica só. Nem os ecos se pode mais, é o tipo de barulho surdo com o qual ninguém se importa, eles só te escutam com armas, com leis ou com faixas em aviões, pois o coração meu bem, já não ouve, nem vê, só bate, assim como o sol apenas nasce, e as crianças apenas crescem. Sem sonhos, sem ecos. No fundo da caixa, no meio do vácuo, onde se deseja perde-se para sempre, e onde eu vejo o pulsar e escuto a britadeira, afinal eu paro de ouvir, mas não tenho a surdez. Tenho que ouvir e suportar esses dias, essas vidas vazias cheias de progresso e civilidade, cheias de som e de si mesmas, buscando outros corpos para gritar com suas gargantas secas.
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