Eles eram felizes. Pessoas que sorriem apenas por estarem juntas, que seguem os pássaros e caminham com o vento. Era assim, a vida para eles era fácil, na verdade, é fácil para todos, mas isso é um ponto de vista, e o ponto de vista deles era totalmente livre. Palavras não eram cobiçadas, quando se é como eles eram, só se precisa da sinceridade do olhar, daqueles olhares tão sinceros e apaixonados que só se via neles, era algo sincero e apaixonado. Gostavam da varanda, da vista para o coqueiro velho que balançava suas folhas como a moça bonita da praia balança seu leve a avassalador cabelo. Aquele coqueiro fora cartão postal de suas viagens, de seus sonhos, de suas tardes de amor no quarto, onde havia uma janela, que também admirava o coqueiro, que também estava em seus sorrisos mais felizes. O coqueiro que era tão bonito para eles. Não tinham planos, eles são tão inúteis quanto uma mesa de mármore. Eles tinham sonhos, e naqueles dias sonhavam com o espaço, e com os pequenos planetas que ilustravam as folhas do livro do príncipe pequenino. Eles mereciam publico, mereciam leitores, mas eles só tinham amigos, que eram tão felizes por poderem estar entre aquela paz que só eles dois conseguiam transmitir. Ela recebia flores, ele recebia bilhetes. Ele sempre a presenteava com lindos presentes. Os textos dela eram guardados na gaveta dele, e os seus sorrisos eram o valor mais alto que eles podiam pagar por algo. Ah, como se é feliz quando se pode estar ao lado do outro, felicidade que não se iguala a nenhuma outra, ou até se compara, mas não é algo poético de se fazer, e na vida daqueles dois, a poesia era a doutrina seguida com fervor, poetas mortos eram Cristo, e Deus. Bem, Deus é sempre seu escritor predileto. Para eles dois, o mesmo Deus. Dois. Eram apenas dois, que não queriam lugar melhor, mas mereciam, mereciam qualquer olhar melhor do que esses que nos, na condição de julgadores desprezáveis temos. Eles mereciam o infinito, mas não era assim que gostavam, eram infinitos, mais estavam no finito do mundo, o finito tão revoltante e assustador a que todos os mortais são destinados. E assim como tudo, e como todos eles eram feitos com a essência dessa verdade, onde tudo passa, e quando digo passar, não é ir embora e se perder de vista, não, o passar do mundo é o guardar da gramática, do corpo é taxado de memoria, e o passar deles também foi assim. Passou. Tão como tudo, tão como todos e como se esperava, o infinito caiu no mundo da memoria, e se tornou memoria como o primeiro banho de chuva, ou seu primeiro dente que tanto te incomodou até que caísse, ou que fosse arrancado por mãos finitas. Passou. O coqueiro permaneceu ali por muitos e muitos anos, até que foi arrancado, sem causas naturais, para dar lugar ao balanço do parque. O coqueiro estava guardado na memoria e na gaveta, assim como tudo, assim como nos. Eles eram felizes.
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